segunda-feira, 16 de março de 2015
MULHERES E VACAS
domingo, 8 de março de 2015
MULHER NA CONTRA MÃO
A mulher grávida e o filho gerado que ele abandonou que se danem. Aborto? Cadeia para ela.
Então, cadeia pra ele também. Afinal, é co-autor do aborto.
Querem mesmo nos mostrar seu admiração e respeito?
Digam NÃO a agressão, ao estupro, a pedofilia, a criminalização do aborto, a exploração sexual, ao aliciamento de meninas para prostituição, a misoginia.
‘Mirem-se no exemplo das mulheres de Athenas. Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas. Elas não têm gosto ou vontade. Nem defeito nem qualidade. Têm medo apenas. Não têm sonhos, só têm presságios.’ Te gosto, Chico, mas pegue suas Mulheres de Athenas e vá passear na floresta, enquanto Seu Lobo não vem!
(deixa eu contar um segredo: brochamos sim, quando nos tratam como objetos, quando dizem a frase errada, quando percebemos que é só sexo e não vai dar em nada)
Ah, algumas também racham a cara de quem lhes falta com o respeito.
Adoro sim ser mulher, apesar da cólica menstrual - mulher é
bicho esquisito .. todo mês sangra, apesar de ter enxaqueca, de chorar por
'defunto vivo', leite derramado, amor mal amado.Mulheres modernas aceitam seus corpos e os mantém ’originais de fábrica’. Mulheres modernas fazem plástica, usam botox, silicone, fio russo e odeiam a celulite.
Mulheres modernas acham lindo parir, cuidam das crias e da família. Mulheres modernas optam por não ter filhos e investir na carreira. Mulheres modernas estão em todos os lugares: na presidência de grandes empresas ou servindo cafezinho nelas. São jornalistas, médicas, garis, faxineiras, professoras, lavadeiras, advogadas, caixas de supermercado. Fazem yoga, pilates, boxe, muay thai. Mulheres modernas comem um pote de sorvete assistindo TV. São feiticeiras. São ateias. São o que quiserem. São mulheres.
Não se curvam ao patriarcado; caminham com seus homens (ou com suas mulheres) lado a lado.
Aos que nos cumprimentam por nos considerarem minoria: peguem aquela rosa que oferecem automaticamente às mulheres em 8 de março, tirem os espinhos para não fazer dodói e enfiem ... bom, vocês sabem onde!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Viver a Vida
Esse homem simples contava a história de Evita e da própria Argentina de forma magistral. Conhecia todos os nomes das personalidades políticas, as datas em que os fatos aconteceram e expunha o como e o porquê do corpo de Evita estar naquele mausoléu.
Quando terminou de nos contar a longa saga da estadista e do período político no qual viveu, os turistas aplaudiram e grande parte deles lhe ofereceu alguns trocados, dinheiro esse que ele recusou.
Quando se dispersaram, resolvi cumprimentá-lo e elogiei sua eloquência de um grande contador de histórias. Ele agradeceu entusiasmado e pareceu-me que, para ele, o reconhecimento de seu talento era infinitamente mais importante do que os dólares e pesos que lhe ofereciam.
Virei as costas, mas ele me puxou pelo braço. Disse que gostaria de me mostrar outras coisas.
Me levou por corredores e, por vezes, parava em frente a outros mausoléus e me contava histórias magnificas de quem ali estava enterrado.
Embora fascinada com a cultura e a forma poética de contar histórias de meu novo e estranho amigo, comecei a me preocupar: não sabia mais em que parte do cemitério andava, tampouco como sair dali.
Disse a ele que precisava ir embora, mas ele respondeu: - tenho um último lugar para lhe mostrar.
Me levou por entre os corredores até um banco de cimento e me pediu para sentar nele. Sentei e ele declamou com maestria o lindo poema de Jorge Luis Borges, Viver a Vida. Terminado o poema, me perguntou: - sabe por que lhe pedi para sentar ai? Respondi: não! Ele me disse então que foi sentado naquele mesmo banco de cimento que Borges havia criado o poema. Me emocionei muito.
Meu novo e estranho amigo me levou então à saída do cemitério, mas antes de nos despedirmos ele me explicou o significado dos símbolos internos e externos que ficam no mural, sobre a entrada do cemitério. Sai e ele ficou. Olhei para trás e ele não estava mais lá.
Pensei então: - será que ele PODE sair de lá?
Essa história pode lhes parecer surreal, mas faz parte de minha história e, assim como tantas outras que teria para contar, me faz sentir uma pessoa privilegiada por ter vivido tantas histórias 'surreais'.
O poema de Borges traduz o que desejo para minha vida em 2015 e para os anos vindouros.
Traduz o que desejo para meus amigos reais e virtuais, para minha família biológica e a família de irmãos de coração e alma, para meus amores e ex-amores. Enfim, para todos nós.
Feliz vida nova!

Se eu pudesse novamente viver a vida...
E ele nunca ganhou um Nobel de literatura ...
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Cinzentos
Acho que os Deuses andam testando minha fé.
domingo, 1 de julho de 2012
A Mulher do Espelho
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Amor

Amor.
Sentimento que não pode ser traduzido em palavras. Amor é sentido, é dado, doado, correspondido, amado, retribuído, não correspondido. É sorriso, é lágrima, é felicidade, é dor.
Poemas, tratados científicos, imagens, recadinhos guardados como tesouros, cartas respondidas/correspondidas, cartas amarelas.
Tantas tentativas de rotular o amor.
"A vida é a arte do encontro"
"O amor é construído por pequenos gestos".
Amor não precisa ser correspondido para continuar amando. Poético. Patético.
O amor é um sentimento vivo, e como tudo o que é vivo, precisa de alimento para continuar vivendo.
"O amor é construído por pequenos gestos". Talvez.
Mas certamente é desconstruído pela falta deles.
Não morre de repente. Vai morrendo aos poucos.
Vai sendo morto pelo que foi feito à ele, e pelo que não foi feito.
Um verdadeiro amor sobrevive a grandes tempestades, a ausências, a palavras duras, a deslealdade, a traições, a idas e voltas. Sobrevive se for alimentado, mesmo que não correspondido.
Amor incondicional. Poético. Patético.
O amor sobrevive a tudo, menos ao descaso. Sobrevive a tudo, menos a falta de "pequenos gestos" do tipo: "oi, você chegou bem em casa"?.
Dois anos. Você se esforçou por dois anos para matar meu amor.
Parabéns: deu certo.
Vou reescrever minha história.
domingo, 10 de julho de 2011
Descida ao inferno (no mundo de Ereshkigal)

Meus dias têm sido particularmente insuportáveis. Iguais. Desprovidos de emoção, de vontade, de cor. O único sentimento real que carrego hoje é o da impotência. Creio que nem amor eu sinto mais.
Nem amor, nem ódio, nem raiva, nem simpatia, nem desespero, nem esperança, nem saudade, nem vontade. Apenas impotência.
Há três anos optei pelo "ligue o foda-se e seja feliz", na tentativa de minimizar a dor de um golpe que mulher alguma merece receber. Descobri, com os resultados, que apertei o botão errado. Descobri que existe mais de um botão com a mesma função, e o "foda-se" errado pode ter resultados desastrosos. Bem, agora é tarde. Foda-se!
Semeei mal nesses três anos. Tinha consciência de que eram as pessoas erradas, as decisões erradas, as ações erradas. Queria simplesmente não sofrer e plantei mais sofrimento.
Vivi de uma forma meio tresloucada, fiz o que não podia, o que não deveria ter feito.
Ah, eu tenho muitos defeitos. Desses que fazem corar a hipocrisia social. E eu achava o máximo levantar a bandeira-anti-hipocrisia. Mas os idealistas sempre se fodem. Não existe liberdade sem preço e pela minha paguei caro. Pago caro ... e minhas moedas falsas estão terminando.
Era do tipo que acreditava que se pode mudar o mundo com uma idéia. Quanta besteira.
Ah, eu tenho mesmo muitos defeitos. Acreditar nas pessoas é um deles. Hoje eu sei que 'acreditar nas pessoas' significa apenas que se quer acreditar que as pessoas são como acreditamos. E as pessoas são como são. Não adianta olharmos através de uma lente cor-de-rosa, que filtra os defeitos, a maldade, o oportunismo, o sarcasmo, o ‘to-nem-ai-pra-você’ e colocar cor em qualidades que, na maioria das vezes, foram inventadas por nosso desejo de que elas existissem.
Pensar que, no final tudo vai dar certo, é outro defeito. O que significa 'dar certo', senão desejar que as coisas tomem o rumo que desejamos. Dar certo é apenas um ponto de vista unilateral. E meu ponto de vista unilateral ainda é caolho.
Aliás, tenho sido caolha nesses últimos três anos. E acho eu esse único olho é míope.
Ingenuidade. Passei da idade e ainda sofro desse mal. Mas até a ingenuidade acho que é premeditada, calculada. Sou ingênua com o que me convém ser. Ou com quem me convém. Não sou ingênua porque as pessoas me enganam. Sou ingênua porque me deixo enganar, acreditando que, no final, tudo vai dar certo e que as pessoas são dignas de credibilidade.
No final das contas, minha ingenuidade não passa de uma artimanha elaborada por meu eu nem tão inconsciente assim; se eu fingir que acredito, as coisas tomarão o rumo que desejo.
“No final tudo vai dar certo”. É, vai. Mas, quando chega o final? Em que curva dessa montanha russa é chegado o momento de gritar a safe, de admitir que nada está sob controle e que porra nenhuma vai dar certo só porque eu quero que de?
A impotência física que acompanha meus dias insuportáveis tem nome: ânterolistese L4-L5 acompanhada de formação de cisto sinovial. O nome é bonito; a dor não.
A impotência emocional - nem amor, nem ódio, nem raiva, nem simpatia, nem desespero, nem esperança, nem saudade, nem vontade, apenas impotência, essa também tem nome(s).
Tem sobrenome(s). E, quando lhes é conveniente, lembram do meu nome. Contam-me as suas mentiras. Eu finjo que acredito. Ele(a)s fingem que não sabem que eu apenas finjo que acredito. Eu finjo que não dói. Eles fingem que se importam. Eu finjo que, no final, tudo vai dar certo. Eles não fingem mais que estão se lixando para o meu final infeliz.
Revolta? Não. Eu ainda acredito que tudo vai dar certo. E agradeço.
Como filha da Deusa, eu agradeço. Agradeço á todos os que, de uma forma ou outra, consciente ou inconscientemente, me empurraram pro precipício (eu não me importo com isso. Eu adoro voar). Agradeço aos seus sorrisos falsos, a sua amizade made in Paraguai, ao seu oportunismo calculado, ao roubo dissimulado, ao seus descasos, as suas mentiras, a falta de respeito, a falta de amor. Agradeço sinceramente a todos aqueles que contribuíram para meu atual estado de impotência, de infelicidade, de solidão.
Não fosse a falta de honestidade, de transparência e de caráter de algumas pessoas, certamente hoje não estaria eu assim. Impotente, infeliz e sem rumo.
Mas agradeço e os abençoo. Não fosse por vocês, talvez eu jamais tivesse chegado aonde cheguei e, consequentemente, não estaria hoje vivendo solitária e dolorosamente a grande Iniciação nos Mistérios de Innana.
Morrer e renascer, a Roda está a girar.
Blessed and be!



