sexta-feira, 24 de junho de 2011


Atualmente estou fazendo algumas mudanças na minha vida.
Se você não ouvir falar de mim, você é provavelmente uma delas.

(desconheço a autoria, mas é isso ai .... )

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pequenas Bruxas


Bruxa. Você é ou não é. Nasce Bruxa ou vai passar a vida tentando ser uma.
Tenho uma sobrinha/afilhada de 13 anos de idade. Evangélica de carteirinha - foi o que aprendeu com a mãe, minha irmã.

Mas, muito antes de adotar as crenças da família, por vota dos 7 anos me disse, na porta de minha casa: "dinda, eu sou a Bruxa boa do leste".

Nunca esqueci dessa manifestação espontânea de minha bruxinha loura, mas a compreendi na última quinta-feira.

Por volta das 13hs da quinta, recebeu a ligação de uma colega de escola. A menina avisava que não iria a aula naquele dia.
A noite, sabe-se lá o porquê (eu sei!), estava minha sobrinha escrevendo uma carta de "melhor amiga" à essa coleguinha da mesma idade. Pouco depois de terminar a cartinha soube-se, pela mídia, que cerca de 3 horas depois de ter ligado informando que não iria a aula, a menina morreu num acidente de trânsito.
Minha bruxinha loura chorou muito.
A cartinha, jogou no lixo. Se perguntava porque escreveu uma 'carta de melhor amiga' à uma menina que havia morrido algumas horas antes.
Expliquei à ela que escreveu para que a menina lesse. Para que, de onde está agora, soubesse que aqui na Terra, ela tinha uma melhor amiga.
Minha bruxinha loura continua chorando.
Aposto que Shaianne está sorrindo porque soube se fazer amar, em sua breve passagem nesse planeta.

sábado, 28 de maio de 2011


Aprendi que meninas boazinhas colecionavam elogios e presentes. Eu colecionava bolinhas de gude e cicatrizes.
Hoje,
enquanto algumas esperam viver um conto de fadas, eu já beijei príncipe que virou sapo, construí castelos para morar sozinha, despedi a fada madrinha, escolhi viver com o lobo, ouvi várias histórias mas resolvi escrever a minha._____ **
** __ por isso, e ....
e se a gente simplesmente reconhecesse que nosso relacionamento é ruim, e mesmo assim ficasse junto?
Se admitisse que a gente enlouquece um ao outro, que está sempre brigando e quase nunca transa, mas não consegue viver um sem o outro, por isso agüenta tudo? Daí a gente poderia passar a vida inteira junto... infelizes,... mas felizes por não estarmos separados.... **
(Comer, Rezar, Amar...)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Veneno Antimonotonia

Li o livro Psicoterapia Existencial aos 16 anos de idade.
Nada demais para quem lia Kafka aos 14, numa prematura e desesperada tentativa de entender em que planeta havia aterrissado.
De Kafka, faz pouco que li Carta ao Pai. Psicoterapia Existencial ... a existência se encarregou de me colocar em psicoterapia.
Mas desse livro uma passagem ficou. Em algum lugar o autor diz que nascemos como uma folha em branco. Não lembro exatamente do texto, mas lembro da idéia: "uma folha em branco que vai sendo preenchida com as impressões/valores passados pelos pais e, mais tarde, pela sociedade".
Óbvio que a soma de nossas vivências se encarrega de reescrever o texto e, lá pelas tantas, o manuscrito original se transforma em rascunho jogado em algum fundo de gaveta.
Na teoria, somos a soma de nossas experiências. Soma de experiências ... papo complexo esse.
Mas ... deixando de lado os paradigmas que regem a filosofia existencialista de seres em profusão em busca de forma concreta e seu conseqüente resultado na formação de personalidade e caráter próprios a universos pessoais únicos (putz ... me puxei nesse amontoado de palavras sem vírgulas e sem nexo), vou deitar aqui minha sabedoria filosófica de almanaque.

O que eu vivo hoje é sim resultado de minhas experiências. Traumas de infância, surras na adolescência, estupro, seqüestro, amores mal resolvidos, amores amados, correspondidos e bem vividos, doses generosas de infelicidade, doses generosas de momentos felizes, fracassos, sucessos, solidão, festas, lágrimas, gargalhadas e uma coleção de tralhas. Sou eu.
Fundo do poço, beijinho na Samara, escala de volta, cai no chão, levanta, sacode a poeira e alguém passa por cima. Levanta de novo - e, quando eu levantar, corre - morrer e renascer, morrer e renascer.
Agora aqui, de pé, pronta para a próxima. Sem medo, sem pé atrás ... doida varrida. Eu.

E você? Tem o plano perfeito para a vida certinha, politicamente correta, hipocritamente sorridente, mentirosamente feliz, socialmente exemplar?
Fez seu plano de aposentadoria, seu investimento na bolsa para a viagem dos sonhos, seu planejamento estratégico para os próximos 5 anos?
Decidiu qual de seus muitos sorrisos vai usar quando parabenizar por grandes feitos aquele sujeito que você não suporta? Decidiu qual a cor do sapato que combina com o lançamento daquele livro que você vai comprar - com autógrafo, mas que nunca vai ler?
Olhou bem no espelho para ver se não há um único fio de cabelo fora do lugar quando chegar, com seu perfeito par, naquele evento social chato de matar?

Tudo certinho, no lugar, cada coisa onde deve estar?
E quando essa farsa se torna insuportável você, quem diria
vem se abastecer de gente louca como eu ... veneno antimonotonia.

Ah, larguei Kafka de mão. Estou na fase Dostoievisky.
E, como ando lendo Notas do Subterrâneo é por um triz
que não te digo: ligue o foda-se e seja
feliz.

Tá faltando homem

“Tá faltando homem que assuma seus afetos, homem que se apaixone. E que se dane que os outros pensem ou que a sociedade aplauda ou condene. Tá faltando homem que agüente as conseqüências de seus desejos e que defenda as razões de seu coração. Tá faltando homem.”
(Pedro Bial)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Faz de Conta

Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio:
FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO

Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo:
FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.

Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado:
FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.

Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno:
FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.

Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:
FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.

Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto:
FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.

Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno:
FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.

Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho:
FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.

Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:
FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.

Martha Medeiros

segunda-feira, 21 de março de 2011

Carta ao Pequeno Príncipe


Olá amiguinho. Lembra de mim? Como vai seu pequeno planeta?
Espero que bem. No meu, muito baobá para pouca flor. Aliás, mais espinho do que flor (lembra da história das rosas que se protegem com os espinhos?). Aqui é diferente agora. Temos menos ovelhas comendo rosas e menos rosas do que espinhos, mas isso é outra conversa ...
Aqui também ainda existem aqueles concursos para miss (agora tem miss de tudo) e continuam confundindo você com Maquiavel. Acho que precisam de mais leitura e menos silicone, mas leitura não dá ibope. O que dá ibope é plástica, lipo, silicone ... (e to ferrada amiguinho: sou original de fábrica).
Mas vim mesmo te falar da Raposa. Ando desconfiada dela. Acho que você deveria abrir o olho também.
Dia desses encontrei com ela passeando por ai. Tentei ser educada, mas ela não quis falar comigo.
Me disse que a gente só conhece bem as coisas que cativou. Não entendi lhufas ...
Percebi que ela não é flor que se cheire quando roubou uma mecha do meu cabelo (o cabelo não é original de fábrica; vivo pintando). Tá quase louro de tanta luz, e a desculpa dela foi lembrar de uns campos de trigo.
E é contraditória essa Raposa. Não queria falar mas marcou um encontro. Aliás, vários para irmos nos aproximando. O primeiro foi para a sexta, 21hs.
Ela me pediu para chegar 21hs em ponto porque ficaria feliz desde às 20hs, esperando o grande momento.
Cheguei um pouquinho atrasada e ela surtou. Falou que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos e perguntou, focinho vermelho de chorar, se eu tinha consciência de que 'perder tempo com um pessoa faz dessa pessoa importante'. Chantagem emocional, percebe?
Ela queria meu afeto, mas esqueceu que também somos responsáveis quando nos deixamos cativar.
Amiguinho, ela é doida. Quer compromisso com hora marcada e tenta impôr as regras dela para uma troca afetiva. Aliás, as regras estão sempre a favor dela.
Chegou ao ponto de dizer que só seria feliz se eu fosse, como se a felicidade dela estivesse condicionada a um encontro com outro.
Percebe que ela joga no outro a responsabilidade pela felicidade dela?
Parece que nem consegue ver a beleza de um trigal sem lembrar de alguém.
Além disso, parece criança exigindo nossa presença na hora em que ela deseja, como que se o outro devesse algo à ela por tê-la cativado. Cativar é via de mão dupla.
Mas eu cai nessa história. Comprei direitinho as idéias da raposa (culpa da mídia, que vive citando as idéias dela como verdades universais).
"você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa" todo mundo decorou (e a frase nem é sua).
Também andei condicionando minha felicidadade a presença de gente em minha vida. E confesso envergonhada que também andei cobrando por terem me cativado.
Bem, me dei conta da besteira. Cada um é responsável por sua própria felicidade.
E agora que mei dei conta, não falo mais com a Raposa.
Se eu fosse você faria o mesmo.
beijos e saudades